Dados do Trabalho


Título

ATEROSCLEROSE CAROTIDEA E A ESPESSURA MEDIO-INTIMAL ESTAO ASSOCIADAS A BEXIGA HIPERATIVA EM MULHERES COM SINDROME METABOLICA

Resumo

Introdução: Estudos recentes têm evidenciado o papel da isquemia vesical crônica, secundária à aterosclerose, na etiologia da síndrome da bexiga hiperativa idiopática (SBHI). A aterosclerose induz uma redução no fluxo sanguíneo vesical, levando a uma isquemia crônica, hipóxia e estresse oxidativo crônico, com consequente disfunção das terminações nervosas e da musculatura lisa vesical. O espessamento da parede da carótida, avaliado pela medida da espessura médio-intimal (EMI) não é sinônimo de aterosclerose, porém representa uma doença vascular subclínica, sendo considerado marcador de risco de doença cardiovascular. Já a placa aterosclerótida carotídea (PAC) é uma manifestação da aterosclerose, e é um preditor de risco cardiovascular mais forte do que a medida da EMI.
Objetivo: Avaliar a associação entre presença de PAC, aumento da EMI e porcentagem de estenose carotídea (PEC) com a SBHI em mulheres com síndrome metabólica (SM).
Métodos: Estudo transversal, em 45 mulheres de 40 a 75 anos, com SM, atendidas consecutivamente entre abril e dezembro de 2016. A avaliação clínica incluiu consulta com um cirurgião vascular e urologista, história médica abrangente e aplicação de um questionário validado (OAB-V8) para avaliar a presença de SBHI (pontuação maior ou igual a oito). Todas pacientes foram submetidas a duas ultrassonografias da artéria carótida bilateralmente (utilizou-se a média dos dois exames), para avaliar a presença de PAC e mensurar a EMI e PEC. A PAC foi definida como uma estrutura focal estendendo-se no mínimo 0,5 mm para a luz do vaso e/ou medindo mais do que 50% do valor da medida da EMI adjacente e/ou ainda uma medida de EMI maior que 1,5 mm. A PEC foi determinada por critério anatômico local definido pela porcentagem do diâmetro residual da carótida obtida preferencialmente ao corte transverso conforme o European Carotid Surgery Trial.
Resultados: Das 45 mulheres, 18 (40%) foram diagnosticadas com SBHI. A prevalência de aterosclerose (PAC) na população estudada foi de 51%, sendo maior entre as pacientes com SBHI (72,2% versus 37,0%) (p = 0,044). Além disso, SBHI foi associada a EMI > 0,70 mm (p = 0,040) e pacientes com SBHI apresentaram uma mediana da PEC maior do que daquelas sem SBHI (21% versus 0%) (p = 0,0294).
Conclusões: Nesta coorte de pacientes do sexo feminino com SM, houve uma associação entre o aumento da prevalência de anormalidades ultrassonográficas da carótida e a aterosclerose com SBHI.

Palavras Chave ( separado por ; )

carótida; aterosclerose; ultrassonografia; sintomas do trato urinário inferior; bexiga hiperativa

Área

Urologia Feminina

Instituições

Universidade Estadual de Londrina - Paraná - Brasil

Autores

Silvio Henrique Maia Almeida, Emerson Pereira Gregorio, Gustavo Teixeira Fulton Schimit, Marcio Augusto Averbeck, Paulo Ricardo Pastre Marcon, André Fernando Tannouri Garbin, Marco Aurelio Freitas Rodrigues